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Resenha - Extraordinário, de R.J. Palácio (Com spoliers)

Fonte: Editora Intrínseca. 



Escrito por R.J. Palacio, “Extraordinário”, é um drama juvenil de fácil entendimento e envolvimento. O livro conta a história do August Pullman, um garoto de 10 anos que nasceu com uma síndrome genética, cuja sequela é uma severa deformidade em metade do seu rosto. Auggie, como é carinhosamente chamado por seus familiares, nunca frequentou uma escola de verdade, tendo assim, sua mãe como professora; porém, sua mãe acredita que o garoto precisa viver essa experiência, mesmo tendo em mente que isso possa ser bastante complicado e traumático para o tão amado filho.

Apesar do livro possuir um protagonista, o Auggie, e o mesmo narrar boa parte da história, contamos também com a narração de alguns familiares e amigos do garoto, o que torna o enredo muito mais dinâmico, envolvente, emocionante e em certos momentos divertido. Afinal, traz uma visão muito mais global e consequentemente ampla das situações que vão ocorrendo no decorrer da leitura.

Como dito no parágrafo anterior, “Extraordinário” é dividido por visões de personagens específicos, e nas primeiras páginas é o Auggie que mostra seu ponto de vista sobre as coisas que estão acontecendo. E, ele começa a expressar tudo o que sente, seja sobre sua adorável família, sua querida cadela chamada Daisy, seu amor por Star Wars e principalmente sobre sua aparência. É nesse ponto que começamos a perceber a carga emotiva que o livro possui, pois estamos falando de uma criança que lida constantemente com gritos de espantos de outras crianças ao se depararem com ele, ou pior, de adultos que desviam o olhar ou se afastam de sua presença. 

August também demonstra medo, ao tomar conhecimento das ideias de sua mãe, de colocá-lo em um colégio particular de Nova York. Enfim, apesar da pouca idade o garoto sabe o quanto as pessoas podem ser cruéis, e como será complicado fazer com que os futuros colegas o vejam como ele realmente é, além da aparência.

Mesmo diante do medo, Auggie concorda com seus pais e resolve ir conhecer o colégio. Chegando lá, ele é muito bem recebido pelo diretor e por algumas crianças que parecem ter sido chamadas ali, apenas para mostrar para ele todo o local. Desse ponto em diante, o Auggie vai aos poucos criando coragem para concordar com as investidas da mãe, o que demonstra sua maturidade para aceitar os dilemas que a vida o impõe.

As vivências do Auggie no colégio vão sendo narradas pelo mesmo. Em contrapartida, um novo olhar surge no decorrer das páginas, o da Olivia Pullman, ou apenas Via, como os familiares e amigos costumam chamá-la. Via é a única e mais velha irmã do Auggie. E por mais que a Via ame o irmão, ela possui alguns ressentimentos e até mesmo traumas ligados a forma como sua mãe sempre busca suprir primeiro as necessidades do garoto, ao invés das suas. Além de não aguentar mais ser vista como “a irmã da aberração”, “a irmã do garoto que nasceu com uma deformidade, tadinho” ou coisas do tipo. A visão da adolescente chega a ser compreensível em alguns momentos, e também tem que ser colocado em cheque que a mesma passa por uma fase complicada: a adolescência, e tudo o que mais deseja é ser compreendida, amada, entre outras coisas.

Com o passar das páginas outros personagens ganham destaque, como por exemplo, Summer uma das poucas pessoas do colégio que se aproximam sem medo do Auggie (e que explica o porquê resolveu se aproximar do mesmo), ou o Jack Will que aos poucos vai se tornando um dos melhores amigos do garoto. Mas apesar disso, existem outros colegas de classe que não parecem aceitar a presença do Auggie, trazendo à tona o problema da falta de empatia nas pessoas ao não saberem entender e aceitar o novo e diferente.

August Pullman se vê num grande labirinto, em certos momentos ganha motivos positivos para continuar tentando concluir sua missão, já em outros se vê completamente decepcionado com as pessoas e tem vontade de nunca mais precisar conviver com elas. Como pode ser visto, August é só uma criança, diria mais, um ser humano com sentimentos, mas em algumas passagens desse livro ele é só visto por sua aparência, o que não agrada nem um pouco muitos personagens presentes na história. E é esse o ponto crucial de toda a história escrita por Palacio, é nítida a forma como ela busca abrir os olhos de nós, leitores, sobre como agimos diante do diferente, de como aceitamos ou não coisas e pessoas das quais não são aparentemente normais, e vai além ao nos mostrar que essas mesmas coisas e pessoas podem não ser de fato normais ou comuns, mas sim EXTRAORDINÁRIAS.

Sem sombras de dúvidas essa foi uma das mais difíceis resenhas que já escrevi em minha vida. Tentei ao máximo não me envolver (não de uma forma tão extrema e apaixonada) e acho que em boa parte do texto consegui, mas por outro lado seria falso de minha parte não expressar o que senti e sinto em relação a esse livro. Essa não é a primeira vez que leio Extraordinário, mas sim segunda, tendo em vista que a adaptação para o cinema será lançada em 23 de novembro deste ano. Enfim, eu queria trazer meu ponto de vista sobre a obra, mas por outro lado sentia a necessidade de reler o livro para isso, para ter mais acesso aos detalhes que com o passar do tempo esquecemos. Mais uma vez me emocionei, chorei horrores e por fim fiquei com uma sensação boa, sabe… O sentimento que se apodera de mim ao lembrar da história do Auggie é complexo, mas ao mesmo tempo simples de ser explicado: é uma admiração tamanha, seja pela autora por escrever algo tão genuíno, bonito, triste, reflexivo e real, mas também pelo protagonista e sua força e maturidade. Enfim, Extraordinário faz jus ao título!


Por um segundo, imaginei como seria legal estar ali, no lugar da Via e do Justin, com toda aquela gente aplaudindo de pé. Acho que devia haver uma regra que determinasse que todas as pessoas do mundo tinham que ser aplaudidas de pé pelo menos uma vez na vida. Página: 237. 

Título: Extraordinário (Wonder). 
Autor(a): R. J Palacio.
Editora: Intrínseca.
Número de Páginas: 318.
Avaliação: 5/5 - Favorito.


Reverberar

Fonte: Pinterest. 

Havia passado a noite em claro, aquela não era a primeira vez que isso ocorria. Porém, ele nunca tinha perdido horas de sono por causa de alguém, e isso o assustou. Afinal, se considerava imune em relação a esse tipo de sensibilidade extrema para com o outro, mas agora se via indo contra a tudo o que acreditava ser e sentir.


Ao se levantar de sua cama, se deu conta que não só sua cabeça, mas o restante do corpo estava em cacos. Enfim, seria um dia difícil. Se dirigiu ao banheiro o mais rápido que conseguiu, evitou olhar seu reflexo no espelho, pois já imaginava o quanto sua aparência estava péssima. Foi até o box, ligou o chuveiro e tomou um banho rápido, no entanto revigorante. Após trocar-se, encaminhou-se à cozinha, onde optou por uma enorme xícara de café sem açúcar. Enquanto bebericava a cafeína amarga, tentou recapitular tudo o que havia se passado em sua mente na madrugada passada. Seu cérebro não estava funcionando tão bem, como costumava, mas aos poucos ele foi relembrando de alguns pensamentos, e seu corpo todo arrepiado-se simultaneamente.


Pensar daquela forma não se assemelhava com seu perfil, seus familiares, amigos e até mesmo um desconhecido que convivesse com ele por dois segundos saberia disso. “O que está acontecendo comigo?”, pergunto-se. Mas, ao mesmo tempo que se questionava, já sabia a resposta. Ele estava evidentemente apaixonado, justo ele, que sempre se disse isento de tal sentimento; principalmente quando vivenciou a “bela história de amor” entre seus pais ter um fim bastante marcante e violento. E, foi por isso que ele criou esse escudo durante tanto tempo, essa proteção que parecia está diluindo-se, e abrindo espaço para o inesperado, para uma versão sua da qual nunca se permitiu viver. Ele estava tão acostumado a ir contra ao que os psicólogos  e demais especialistas o diziam, ele não queria superar o passado.


Na verdade, não tinha nada contra o amor, pelo contrário, possuía esperanças de encontrar a pessoa certa da qual viveriam  anos ou alguns meses inesquecíveis juntos. Mas, ele queria viver primeiro seus sonhos, as inúmeras viagens, escrever um livro, ir ao show de sua banda favorita, entre tantos outros. Afinal, nunca conseguiu esquecer das palavras que seus pais usaram, quando os ânimos de ambos se acalmaram. Eles sentaram-se à sua frente e então disseram que erraram feio, que haviam aberto mão de tudo um pelo outro. Usaram os termos, como, “sonhos”, “idealizações”, “perspectivas”... Tudo isso foi contado em uma tarde de domingo, como qualquer outra, mesmo assim aquela tarde e as palavras proferidas por seus pais tornaram-se o mantra do menino, que com o tempo se tornara um homem bastante inseguro e emotivo. O homem que agora evitava concordar com si mesmo, quando o assunto era permitir-se amar, quando não havia realizado nem um terço de tudo o que desejava.



E ai, como foi o 1ª período da faculdade?

Fonte: Pinterest. 
Quanto tempo não venho aqui, não é mesmo? Pois é, ao começar a faculdade me vi completamente sem condições de atualizar o site; mesmo assim, acabei criando alguns conteúdos, porém tudo mudou com a chegada das primeiras avaliações. Por mais que eu já tivesse encarado três graduações (nenhuma concluída), essa em especial, foi a mais exaustiva. Eu me cobrei bastante em relação a tirar boas notas, o que tem seu lado positivo, mas também negativo. Enfim, pretendo citar nos próximos parágrafos como está sendo minha experiência com o curso de Comunicação Social em Jornalismo.

Sempre fui péssimo em conviver e me comunicar com muitas pessoas. E, ao entrar na sala de aula fui surpreendido com no mínimo 80 alunos. Sim, 80 pessoas num mesmo espaço, pois a instituição optou por unir todas as turmas de comunicação iniciantes, sejam elas, Design Gráfico, Publicidade, Rádio e TV e Jornalismo. A aglomeração de pessoas, em alguns momentos tornavam as aulas quase impossíveis de acontecer, mas na maior parte do tempo ocorreu o contrário. Foi um processo bastante desafiador não só para os professores, mas também para os alunos. Afinal, cada um tinha sua forma de ser, pensar e agir. Apesar das diferenças serem um fator encantador, em alguns momentos também foram fatores delicados de lidar, principalmente nos trabalhos em grupo. Eu, por exemplo, me desentendi com algumas pessoas, pois as mesmas pareciam não entender que trabalhos em grupos devem ser feitos por todos, e não apenas por um ou dois integrantes.

Conviver com os professores também não foi nada fácil... A cada aula lidávamos com novos aprendizados, livros e textos extensos para ler, além das cobranças que eles exigiam de nós, alunos. Não tive atrito com nenhum professor, pelo contrário, só tenho coisas boas a comentar dos mesmos. Porém, dois professores me pareceram um pouco perdidos em alguns momentos, o que de certo modo é compreensível, tendo em vista que não deve ser fácil lecionar para uma turma constituída por tantos alunos; era evidente que eles entendiam e buscavam passar o assunto da melhor forma possível, mas nem sempre a proposta era bem executada, implicando em não alcançar sua real finalidade. As matérias estudadas nesse período foram: Introdução à Fotografia, Teoria da Imagem e Estética Midiática, Teorias da comunicação, Introdução ao Audiovisual e Introdução ao Jornalismo. 

Em relação a faculdade de modo geral, o texto se tornará o tanto contraditório, pois a estrutura me pareceu excelente, mas o mesmo não posso dizer do sistemas administrativo, financeiro, tecnológico e atendimento presencial, o que é realmente uma pena... Entre as milhares de problematizações que encarei e presenciei de outros, uma se destacou,  ter passado meses tentando acessar e me cadastrar no Autoatendimento, espaço onde o aluno(a) pode conferir sua carga horária, cadeiras que vai cursar, números de presenças e ausências, entres outros dados super importantes, sem sucesso.

Apesar de alguns problemas aqui e outros ali, o primeiro período foi relativamente bom. Foi uma troca mútua de inúmeros conhecimentos. Sabe aquela sensação de que se amadureceu anos mentalmente? É isso que sinto. No momento, estou aproveitando cada minuto das férias, mas ao mesmo tempo me preparando e ansiando para o retorno aos estudos, de correr contra o tempo por conta dos inúmeros trabalhos, livros para ler, projetos em grupos, etc. Sim, foi puxado, mas também foi e está sendo um período de minha vida muito produtivo, e que me enche de uma sensação boa e prazerosa de utilidade, além de inúmeras expectativas em relação ao futuro....

Crítica | 'Guardiões da Galáxia Vol. 2'



"Guardiões da Galáxia" (2014) foi literalmente um grande tiro no escuro para Marvel! Quando digo isso, me refiro ao risco que o estúdio passou ao não saber se a adaptação dos quadrinhos, de mesmo título, agradaria ou não o público. Afinal, o universo explorado nesta história é completamente diferente das demais que estamos acostumados acompanhar em outras obras cinematográficas com heróis. 

Porém, após o lançamento do filme, não demorou muito para o mesmo cair nas graças, tanto dos críticos, da mídia e do público. Acredito que o sucesso tenha sido decorrente de inúmeros fatores, entre eles: a quebra de estereótipos em relação ao que é ser um herói, ou o modo como os mesmos devem se comportar entre si e até mesmo com os espectadores. Além do uso da trilha sonora como uma espécie de personagem extra (muito bem pensando e desenvolvido, dica de passagem).

Em "Guardiões da Galáxia Vol. 2", contamos com a direção de James Gunn, que também foi responsável pelo primeiro filme da franquia. É de se imaginar como ambos os filmes foram desafiadores para o diretor e roteirista, pois o primeiro foi rodeado de dúvidas em relação a como a história seria assimilada pelo público; já o segundo tem como dilema, suprir todas as expectativas dos fãs, ao se depararem novamente com os personagens que criaram tamanha empatia.


Nas primeiras cenas, fica evidente que o filme mantém sua essência, que é mesclar o humor com a ação. Os dois gêneros estão muito bem empregados e exagerados (positivamente falando). A versão Baby Groot é extremamente bonitinha, e é impossível não se encantar com a inocência em seus atos impensados, ao mesmo tempo nos deparamos com os demais guardiões focados no combate. 

O grupo composto por Peter Quill (Chris Pratt), Gamora (Zoe Saldana), Drax (Dave Bautista), Rocket (Bradley Cooper) e Baby Groot (Vin Diesel), se encontram prestando serviços para o planeta. Tudo parece bem, exceto por um detalhe: Rocket (Bradley Cooper) acaba furtando sem pensar algumas baterias de um planeta em especial. Seus atos acabam resultando numa fuga bastante turbulenta, que tem fim quando os guardiões encontram o pai do Quill (Kurt Russel).

A relação entre Peter e seu pai é oscilante. Afinal, por mais que o homem pareça feliz por ter encontrado seu filho, Peter não consegue entender o motivo do mesmo ter demorado tanto para achá-lo. Visando encontrar respostas para suas dúvidas Peter, Gamora e Drax resolvem ir ao planeta de Ego, enquanto os demais guardiões ficam reconstruindo o que sobrou da nave.


Apesar da história de Ego ter bastante relevância no rumo que a trama toma, fica evidente que os demais guardiões também têm seu devido espaço como protagonistas. A relação de Gamora e sua irmã ganha mais detalhes e intensidade, assim como dos demais. Há também uma maior participação dos personagens Youndu (Michael Rooker) e Nebulosa (Karen Gillan). Além da apresentação de Mantis (Pom Klementieff), que é uma personagem que surge e rapidamente ganha o público. Enfim, falar mais sobre a história do filme seria compartilhar spoilers, o que não quero fazer...

Guardiões da Galáxia Vol. 2 é uma obra certeira, quando o assunto é gargalhar, mas também para chorar e refletir. Nesse longa fica claro todas as dores, medos e motivações dos personagens. A história traz a tona não só o valor da amizade, mas sim, a construção diária do que consideramos família.

O filme está recheado também de surpresas e participações especiais INCRÍVEIS (que eu prefiro não mencionar, para não estragar a surpresa de vocês, caros leitores). A trilha sonora é outro elemento que merece ser citado, pois assim como no primeiro filme, é bastante rica e se encaixa perfeitamente com as cenas. Os cenários e figurinos continuam extravagantes e coloridos, como se tivessem saído literalmente dos quadrinhos. O único ponto negativo a meu ver, foi o uso do 3D, afinal, não vi nada do qual merecesse ser visualizado com essa tecnologia, ou ao menos não me pareceu bem empregado.


Ao todo, Guardiões da Galáxia Volume.2, foi um filme maravilhoso! Superou o primeiro, não por ser melhor, mas sim por trazer uma extensão, da qual não consigo imaginar de outra forma. Conseguiu me surpreender em inúmeros momentos, além de rir e chorar em momentos diversos. Sim, eu estou muito ansioso pelo terceiro filme!

Confira o trailer: 





Título: Guardiões da Galáxia Vol. 2 (Guardians of  the Galaxy).
Nacionalidade: Estados Unidos.
Ano: 2017.
Elenco: Chris Pratt, Zoe Saldana, Dave Bautista, Vin Diesel, Bradley Cooper, Michael Rooker, Karen Gillan, Pom Klementieff, Sylvester Stallone, Kurt Russell, Elizabeth Debicki, Chris Sullivan,  Sean Gunn, Tommy Flanagan, Laura Haddock. 
Duração: 1h 35 m.
Roteiro e direção: James Gunn.
Avaliação: 4/5.


Crítica | 'Túmulo dos Vagalumes'


“Túmulo dos Vagalumes – Hotaru no Haka” (1988) é uma animação japonesa escrita e dirigida por Isao Takahata, que é um dos principais nomes do Studio Ghibli, ao lado de Hayo Miyazaki, considerado um dos mais respeitados criadores de animações japonesas. O filme tem como base uma obra literária e parcialmente autobiográfica com mesmo título e escrita por Akiyuko Nosaka, em 1967. 

O começo desta animação já deixa claro que não se tratará de uma história fácil de ser acompanhada, muito menos previsível quando o assunto é o destino dos personagens. Afinal, a obra conta com a seguinte fala inicial: “21 de setembro de 1945. Essa foi a noite em que eu morri”.

O filme trata de forma real e poética o modo como a Segunda Guerra Mundial afetou gradualmente as pessoas que vivenciaram esse período. E, vale salientar a quebra da ideia equivocada de que animações só servem para o público infantil, pois esse material foca em um público mais maduro e consegue fazer isso de modo certeiro.


A trama acompanha o jovem Seita e sua irmãzinha Setsuko, e o modo como ambos tentam sobreviver aos últimos meses de guerra. Porém, tudo se torna muito mais complicado e triste quando a mãe deles acaba morrendo, após ser vítima de um dos bombardeios. 

Seita e Setsuko passam um período na casa da tia, compartilhando do mesmo anseio o retorno do pai, que se encontra trabalhando na guerra. Mas infelizmente isso parece cada vez mais distante de se tornar realidade. Com o passar do tempo e as investidas da tia para que as crianças se moldem ao período que estão vivenciando, deixando de lado a infância e seguindo a fase adulta antes do tempo, com isso os irmãos se sentem na obrigação de, ao menos, tentar viverem por si mesmos. 

Apesar de ter como plano de fundo a guerra, o foco desta história sem sombra de dúvidas está na relação entre os irmãos Seita e Setsuko, a ligação forte que facilmente faz com que os espectadores criem empatia rapidamente por eles, principalmente por eles se encontrarem numa situação de completa vulnerabilidade, o que a meu ver torna-se impossível não se imaginar no lugar deles, não compreender os medos e necessidades que eles vêm sentindo.


Isao Takahata soube tratar tudo isso com bastante sensibilidade. Afinal, Seita não se poupa ao proteger e colocar a vida de sua irmã sempre em primeiro lugar. O jovem atua como um protetor para sua irmã, enquanto a garota mantém seu olhar inocente sobre o que está acontecendo. Ambos buscam fixar-se em coisas simples, mas que parecem dá todo um significado e até mesmo momentos felizes, como as balas de frutas, que muitas vezes é o único alimento do qual Setsuko tem para comer, ou os vagalumes que iluminam o abrigo improvisado que resolvem morar.

O trabalho gráfico feito por Miyazaki é ótimo, pois não poupa o espectador de detalhes, como feição ou até mesmo fraturas, feridas e demais características, tornando os traços o mais próximo possível do real. 

“Túmulo dos Vagalumes” é um filme marcante, profundo, poético e literalmente arrasador. Um filme diferente, lindíssimo, porém, ao mesmo tempo, belamente horrendo e aterrorizante. Traz à tona como os japoneses compreendem o impacto da Segunda Guerra Mundial em suas vidas, suas crenças e seus valores. Mas vai bem além, ao trazer inúmeras questões, entre elas: Qual o valor de uma guerra? O bem vence o mal? Quem representa o bem e quem representa o mal? No fim das contas, é valido mesmo todas as mortes e destruições? Como ficam os indivíduos que conseguem sobreviver? Será que o diálogo não seria algo mais coerente e menos impactante e egoísta?



Enfim, a história vai além dos irmãos Seita e Setsuko (personagens que sempre estarão presentes em minha mente e coração), pois traz também a realidade presente nesse período, e também a questão crítica em relação à desumanidade inerente à guerra, e como ela pode afetar cruelmente até mesmo aqueles que não têm nada a ver com a mesma. Chega a ser vergonhoso o modo como somos capazes de perder inúmeras vidas, pela busca de “poder”, o que só ressalta a futilidade presente na humanidade. 

Confira o trailer do filme:



Título: Túmulo dos Vagalumes (Hotaru no Haka). 
Nacionalidade: Japão.
Ano: 2017.
Gênero: Romance, drama, crítica social.
Duração: 1h 30m.
Roteiro e direção: 
Isao Takahata.
Avaliação: 5/5

Crítica | 'Os 13 Porquês' 1ª Temporada



Fonte: Série "Os 13 Porquês". 

“Os 13 Porquês” é uma série Original Netflix que tem como diretor Tom McCarthy, ganhador do Oscar por “Spotlight”, além de produção executiva da cantora e atriz Selena Gomez. Acredito que todos já tenham conhecimento, mas é válido mencionar que essa série é baseada no romance de mesmo título do autor Jay Asher, que apesar de ter sido escrito há 10 anos possui temas bastante atuais e de extrema importância, como por exemplo, bullying, violência sexual, utilização excessiva de álcool, substâncias ilícitas, depressão, suicídio, entre outros.

A trama tem como protagonista uma jovem chamada Hannah Backer (Katherine Langford). Entretanto, o modo como a personagem é a apresentada ao expectador é bastante impactante, triste e peculiar. Afinal, Hannah acaba de se suicidar, deixando apenas sete fitas cassetes onde registra as 13 motivações que a fizeram se matar.

Nesse mesmo momento conhecemos Clay (Dylan Minnete), um rapaz que se mostra muito abalado pelo suicídio da colega de classe. Ele acaba recebendo os registros de Hannah, e ao começar a ouvir a primeira fita fica em choque ao saber que segundo a gravação, ele talvez tenha sido um dos porquês, ou seja, pode ter contribuído de forma direta ou indireta para a morte da garota.

Assim como Clay é impossível não se sentir sem chão ao ter que lidar com a ideia de que uma pessoa se sentia tão mal ao ponto de tirar sua própria vida, e tudo isso se intensifica quando ele começa a ouvir e entender as gravações da Hannah. Ela menciona sua vinda e dos pais até aquela cidade, o modo como eles esperavam ter um bom recomeço, mas também a forma como tudo começou a desmoronar. 

Nas demais cenas, vemos o Clay não só entender tudo o que se passou com Hannah, mas também tomar um posicionamento em relação a tudo. E, de certo modo, conferimos também como os demais envolvidos se comportam em relação àquilo. E isso me pareceu uma forte crítica ao modo como todos nós temos formas de agir diferente em relação a um mesmo assunto. Esse ponto também me fez refletir bastante, pois mostrou a relação do ser humano como unidade, e ao mesmo tempo como grupo (mas se aprofundar em tal reflexão seria mais viável em outro post).


Fonte: Netflix.

Os temas abordados na série são fortes, impactantes e até mesmo cruéis, porém necessários.  O modo como a direção e produção decidiu seguir com esse trabalho é bem distinto de outras séries, livros, filmes e demais conteúdos que focam no público jovem. Eles conseguiram trazer personagens reais, ou seja, não tiveram receio em tratar adolescentes como pessoas com qualidades, defeitos e ainda com caráter em construção. Indivíduos que encaram todos os dias inúmeras pressões próprias e da sociedade, além dos julgamentos que os cercam por toda parte. 

Existem alguns pontos positivos e negativos que gostariam de mencionar em relação à série: 

1. Uma das coisas que mais me chamou atenção e agradou foi a fotografia, que possui um tom mais frio em boa parte das cenas, um complemento e tanto na questão de tornar o ambiente mais dramático, assim como a própria história.

2.  A trilha sonora também é impecável e segue um estilo indie/dramático que também é um forte complemento para o rumo drástico e dramático que a história segue desde a primeira cena.

3.  Em relação as atuações, eu gostei de boa parte delas, mas duas em especial me emocionaram e cativaram bastante. Dylan Minnete (Clay) soube interpretar muito bem um garoto claramente em choque, que tenta ao máximo resolver/mudar tudo à sua volta. Outra atuação que me chamou muita atenção foi da já experiente atriz Kate Walsh, que interpretou muito bem a mãe da Hannah. Ao meu ver em nenhum momento sua atuação se tornou exagerada, forçada e superficial. Sempre que me deparava com seu rosto e suas expressões conseguia acreditar de fato que ela havia perdido um ente querido, pois em seu olhar existia um vazio do tipo que nada, nem ninguém são capazes de preencher. 

4.  As alterações no roteiro, comparados ao livro, são muito bem pensadas e não alteram em nada a história original, além de contribuir bastante com uma possível, e almejada, continuação do drama neste formato.

5. Um dos únicos pontos negativos que encontrei na série foi a quantidade de episódios. Não só a quantidade, mas o tempo extenso dos mesmos. Algumas cenas poderiam ter sido mais breves, porém pareceram ser adicionadas com um único objetivo: tornar a série mais longa, conquistando a quantidade de 13 episódios para ser uma similaridade com o título da história. 

Ao todo, “Os 13 Porquês” é um drama de extrema importância para todos nós, e quando digo todos não excluo ninguém deste meio. A série tem um grande foco no público adolescente, até mesmo pelo fato de muitos dos assuntos abordados por trás da história de Hannah ser presentes e frequentes na vida de muitos jovens. Porém, os mesmos temas não ocorrem apenas com esse público, todos nós estamos aptos a sermos gravemente agredidos de variadas formas. 

Outro elemento que a série levanta do começo ao fim é como tais agressões podem interferir e mudar o rumo de nossas vidas. O que para um pode ser uma simples brincadeira ou algo grave, porém rapidamente esquecível, para outro pode ser algo capaz de fazê-lo tomar medidas extremas e sem retorno.

Identifiquei-me, chorei, senti a cada fita tudo o que a Hannah e milhares de outras pessoas sofrem. Inclusive já fui vítima de algumas das mesmas agressões que ela vivenciou. Porém, a mensagem que mais me marcou foi uma das últimas falas do Clay, onde ele diz que precisamos mudar isso, pois não dá para as pessoas continuarem tratando umas as outras desta forma; sem se importar com o modo como o outro pode está interpretando tudo à sua volta. 

Preciso fazer um breve comentário sobre algo que venho presenciando: Todos nós temos noção do peso que as redes sociais possuem, certo? Eu estou achando realmente muito incrível o uso destas ferramentas para expor hashtags, como por exemplo, #NaoSejaUmPorque, mas também espero que essas mesmas mobilizações virtuais não se limitem a apenas isso.  Espero que essas pessoas que no momento estão mexidas com os temas abordadas na série continuem assim e principalmente torne essa vontade de fazer a diferença de fato em algo real, pondo isso em prática. Como podemos fazer isso? A própria série nos dá inúmeras dicas, e também podemos nos aprofundar no assunto com a ajuda do nosso tão bem conhecido tio “Google”. Eu mesmo já fiz inúmeras buscas e descobri inúmeros grupos de apoios. Também descobri que alguns desses grupos possuem cursos onde podemos nos capacitar para sermos voluntários nos mesmos. (Pretendo fazer um post exclusivo sobre essas instituições de apoio à depressão, alcoolismo, suicídios e demais temas que são abordados em “Os 13 Porquês”). 

Enfim, acho que é melhor terminar por aqui, do contrário essa crítica nunca terá um ponto final. Recomendo que todos assistam a série, não posso dá uma confirmação exata se vai gostar ou não, mas ao menos tentem captar a mensagem presente nela. 

Confira ao trailer: 




Título: Os 13 Porquês (13 Reasons Why). 
Nacionalidade: Estados Unidos.
Ano: 2017.
Elenco: Dylan Minnette, Katherine Langford, Christian Navarro, Michael Sadler, Justin Prentice, Devin Druid,  Jillian Nordby, Miles Heizer
Gênero: Romance, drama, crítica social.
Duração: 13 episódios de aprox. 1h cada.
Roteiro e direção: 
Brian Yorkey, Diana Son, Thomas Higgins, Julia Bicknell, Nic Sheff, Elizabeth Benjamin, Kirk Moore, Hayley Tyler, Nathan Louis Jackson, Elizabeth Benjamin.
Avaliação: 4/5.

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